191. O que pedimos na segunda petição?
Na segunda petição, que é: “Venha o teu reino” – reconhecendo que nós e todos
os homens estamos, por natureza, sob o domínio do pecado e de Satanás -,
pedimos que o domínio do mal seja destruído, o Evangelho seja propagado por
todo o mundo, os judeus chamados, e a plenitude dos gentios seja consumada;
que a igreja seja provida de todos os oficiais e ordenanças do Evangelho,
purificada da corrupção, aprovada e mantida pelo magistrado civil; que as
ordenanças de Cristo sejam administradas com pureza, feitas eficazes para a
conservação daqueles que estão ainda nos seus pecados, e para a confirmação,
conforto e edificação dos que estão já convertidos; que Cristo reine nos nossos
corações, aqui, e apresse o tempo da sua segunda vinda e de reinarmos nós
com ele para sempre; que lhe apraza exercer o reino de seu poder em todo o
mundo, do modo que melhor contribua para estes fins.
Ef 2.2, 3; Sl 68.1; Rm 7.24, 25; Ez 11.19; Sl 119.35; At 21.14; Sl 123.2; Is 38.3;
Ef 6.6; Sl 119.4; Rm 12.11; 2Co 1.12; Sl 119.112; Rm 2.7; Sl 103.20-22.
193. O que pedimos na quarta petição?
Na quarta petição, que é: “O pão nosso de cada dia nos dá hoje” – reconhecendo
que em Adão e pelo nosso próprio pecado, perdemos o nosso direito a todas as
bênçãos exteriores desta vida, e que merecemos ser, por Deus, totalmente
privados delas, tendo elas se transformado em maldição para nós, no seu uso;
que nem elas podem de si mesmas nos sustentar, nem nós podemos merecê-las
nem pela nossa diligência consegui-las, mas que somos propensos a desejar,
obter e usar delas ilicitamente -, pedimos, por nós mesmos, e por outros que
tanto eles como nós, dependendo da providência de Deus, de dia em dia, no uso
de meios lícitos, possamos, do seu livre e conforme parecer bem à sua sabedoria
paternal, gozar de sua porção suficiente desses favores e de tê-los continuados e
abençoados para nós em nosso santo e confortável uso e contentamento; e que
sejamos guardados de tudo quanto é contrário ao nosso sustento e conforto
temporais.
Gn 3.17; Lm 3.22; Dt 8.3; Gn 32.10; Dt 8.18; Pv 10.22; Os 12.7; Tg 4.3; Tg
4.13, 15; Sl 90.17; Sl 144.12-15; 1Tm 4.4, 5; 1Tm 6.6-8; Pv 30.8, 9.
194. O que pedimos na quinta petição?
Na quinta petição que é: “Perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós
também perdoamos aos nossos devedores” -, reconhecendo que nós e todos os
demais somos culpados do pecado original e atual, e por isso nos tornamos
devedores à justiça de Deus; que nem nós nem outra criatura qualquer pode
fazer a mínima satisfação por essa dívida -, pedimos, por nós mesmos e por
outros, que Deus da sua livre graça e pela obediência e satisfação de Cristo
adquiridas e aplicadas pela fé, nos absolva da culpa e da punição do pecado, que
nos aceite no seu Amado, continuem o seu favor e graça em nós, perdoe as
nossas faltas diárias e nos encha de paz e gozo, dando-nos diariamente mais e
mais certeza de perdão; que tenhamos mais coragem de pedir e sejamos mais
animados e esperar, uma vez que já temos este testemunho em nós, que de
coração já perdoamos aos outros as suas ofensas.
Mt 6.12; Mt 18.24; Rm 3.9-19; Rm 5.19; Ef 1.6; 2Pe 1.2; Os 14.2; Rm 15.13; Sl
51.7-12; Lc 11.4; Mt 6.14, 15.
195. O que pedimos na sexta petição?
Na sexta petição, que é “Não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal”
– reconhecendo que o mui sábio, justo e gracioso Deus, por diversos fins, santos
e justos, pode dispor as coisas de maneira que sejamos assaltados, frustrados e
feitos por algum tempo cativos pelas tentações; que Satanás, o mundo e a carne
estão prontos e são poderosos para nos desviar e enlaçar; que nós, depois do
perdão de nossos pecados, devido à nossa corrupção, fraqueza e falta de
vigilância, estamos, não somente sujeitos a ser tentados e dispostos a nos expor
às tentações, mas também, de nós mesmos, incapazes e indispostos para lhes
resistir, sair ou tirar proveito delas; e que somos dignos de ser deixados sob o
seu poder -, pedimos que Deus de tal forma reja o mundo e tudo o que nele há,
subjugue a carne, restrinja a Satanás, disponha tudo, conceda e abençoe todos
os meios de graça e nos desperte à vigilância no seu uso, que nós e todo o seu
povo sejamos guardados, pela sua providência, de sermos tentados ao perdão,
ou que, quando tentados, sejamos poderosamente sustentados pelo Espírito, e
habilitados a ficar firmes na hora da tentação, ou, quando fracassados, sejamos
levantados novamente, recuperados da queda, e que façamos dela uso e
proveito santos; que a nossa santificação e salvação sejam aperfeiçoados do
pecado, da tentação e de todo o mal, para sempre.
Mt 6.13; 2Cr 32.31; 1Pe 5.8; Lc 21.34; Tg 1.14; Gl 5.17; Mt 26.41; 1Tm 6.9; Rm
7.18, 19; Sl 81.11, 12; Jo 17.15; Sl 51.10; Hb 2.18; Rm 8.28; Hb 13.20, 21; Ef
4.11, 12; Mt 26.41; 1Co 10.13; Ef 3.14-16; Sl 51.12; 1Pe 5.10; 1Ts 3.13; Rm
16.20; 1Ts 5.23.
196. O que nos ensina a conclusão da Oração do Senhor?
A conclusão da Oração do Senhor, que é: “Porque teu é o reino e o poder e a
glória para sempre. Amém,” nos ensina a reforçar as nossas petições com
argumentos que devem ser derivados, não de qualquer mérito que haja em nós
ou em qualquer outra criatura, mas de Deus; e ajuntar louvores às nossas
orações, atribuindo a Deus, unicamente, a soberania eterna, onipotência e
gloriosa excelência; em virtude do quê, como ele pode e quer socorrer-nos,
assim nós, pela fé, estamos animados a instar com ele a que atenda aos nossos
pedidos, e a confiar tranqüilamente que assim o fará. E para testemunhas os
nossos desejos e certeza de sermos ouvidos, dizemos: Amém.
Mt 6.13; Jó 23.3, 4; Dn 9.4, 7-9; Fp 4.6; 1Cr 29.10-13; Ef 3.20, 21; Lc 11.13; Ef
3.12; Hb 10.19-22; 1Jo 5.14; Rm 8.32; 1Co 14.16; Ap 22.20, 21.