161. Como os sacramentos se tornam meios eficazes da salvação?
Os sacramentos tornam-se meios eficazes da salvação, não porque tenham
qualquer poder em si, nem qualquer virtude derivada da piedade ou da intenção
de quem os administra, mas unicamente pela operação do Espírito Santo e pela
bênção de Cristo que os instituiu.
1Pe 3.21; At 8.13, 23; 1Co 3.7; 1Co 6.11.
162. O que é um sacramento?
Um sacramento é uma santa ordenança instituída por Cristo em sua Igreja, para
significar, selar e conferir àqueles que estão em pacto da graça os benefícios da
mediação de Cristo, para os fortalecer e lhes aumentar a fé em todas as mais
graças, e os obrigar à obediência, para testemunhar e nutrir o seu amor e
comunhão uns para com os outros, e para distingui-los dos que estão fora.
Mt 28.20; Rm 4.11; 1Co 11.24, 25; Rm 9.8; At 2.38; 1Co 11.24-26; Rm 6.4; 1Co
12.13; 1Co 10.21.
163. Quais são as partes de um sacramento?
As partes de um sacramento são duas: uma, um sinal exterior e sensível usado
segundo a própria instituição de Cristo, a outra, uma graça inferior e espiritual
significada pelo sinal.
Veja-se Confissão de Fé, Cap. XXVII e as passagens ali citadas.
164. Quantos sacramentos instituiu Cristo sob o Novo Testamento?
Sob o Novo Testamento, Cristo instituiu em sua Igreja somente dois
sacramentos: o Batismo e a Ceia do Senhor.
Mt 28.19; 1Co 11.23-26; Mt 26.26, 27.
165. O que é Batismo?
Batismo é um sacramento do Novo Testamento no qual Cristo ordenou a
lavagem com água em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, para ser um
sinal e selo de nos unir a si mesmo, da remissão de pecados pelo seu sangue e
da regeneração pelo seu Espírito; da adoção e ressurreição para a vida eterna; e
por ele os batizandos são solenemente admitidos à Igreja visível e entram em
um comprometimento público, professando pertencer inteira e unicamente ao
Senhor.
Mt 28.19; Gl 3.27; Rm 6.3; At 22.16; Mc 1.4; Jo 3.5; Gl 3.26-27; 1Co 15.29; At
2.41; Rm 6.4.
166. A quem deve ser ministrado o Batismo?
O Batismo não deve ser ministrado aos que estão fora da Igreja visível, e assim
estranhos aos pactos da promessa, enquanto não professarem a sua fé em
Cristo e obediência a Ele; porém as crianças, cujos pais, ou um só deles,
professarem fé em Cristo e obediência a ele, estão, quanto a isto, dentro do
pacto e devem ser batizadas.
At 2.41; At 2.38, 39; 1Co 7.14; Lc 18.16; Rm 11.16; Gn 17.7-9; Cl 2.11, 12; Gl
3.17, 18, 29.
167. Como devemos tirar proveito de nosso Batismo?
O dever necessário, mas muito negligenciado, de tirar proveito de nosso Batismo
deve ser cumprido por nós durante toda a nossa vida, especialmente no tempo
de tentação, quando assistimos à administração desse sacramento a outros, por
meio de séria e grata consideração da sua natureza e dos fins para os quais
Cristo o instituiu, dos privilégios e benefícios conferidos e selados por ele e do
voto solene que nele fizemos por meio de humilhação devida à nossa corrupção
pecaminosa, às nossas falhas, e ao andarmos contrários à graça do Batismo e
aos nossos votos; por crescermos até à certeza do perdão de pecados e de todas
as mais bênçãos a nós seladas por esse sacramento; por fortalecer-nos pela
morte e ressurreição de Cristo, em cujo nome fomos batizados para mortificação
do pecado e a vivificação da graça e por esforçar-nos a viver pela fé, a ter a
nossa conversação em santidade e retidão como convém àqueles que deram os
seus nomes a Cristo, e a andar em amor fraternal, como batizados pelo mesmo
Espírito em um só corpo.
Sl 22.10, 11; Rm 6.3-5; Rm 6.2, 3; 1Co 1.11-13; 1Pe 3.21; Rm 4.11, 12; Rm 6.2-
4; Gl 3.26, 27; Rm 6.22; 1Co 12.13, 25, 26.
168. O que é a Ceia do Senhor?
A Ceia do Senhor é um sacramento do Novo Testamento no qual, dando-se e
recebendo-se pão e vinho, conforme a instituição de Jesus Cristo, é anunciada a
sua morte; e os que dignamente participam dele, alimentam-se do corpo e do
sangue de Cristo para sua nutrição espiritual e crescimento na graça; têm a sua
união e comunhão com ele confirmadas; testemunham e renovam a sua gratidão
e consagração a Deus e o seu mútuo amor uns para com os outros, como
membros do mesmo corpo místico.
1Co 11.26; Mt 26.26, 27; 1Co 11.23-27; 1Co 10.16-21.
169. Como ordenou Cristo que o pão e o vinho fossem dados e
recebidos no sacramento da Ceia do Senhor?
Cristo ordenou que os ministros da Palavra, na administração deste sacramento
da Ceia do Senhor, separassem o pão e o vinho do uso comum pela palavra da
instituição, ações de graça e oração; que tomassem e partissem o pão e dessem,
tanto este como o vinho, aos comungantes, os quais, pela mesma instituição,
devem tomar e comer o pão e beber o vinho, em grata recordação de que o
corpo de Cristo foi partido e dado, e o seu sangue derramado em favor deles.
Mc 14.22-24.
170. Como se alimentam do corpo e do sangue de Cristo os que
dignamente participam da Ceia do Senhor?
Desde que o corpo e o sangue de Cristo não estão nem corporal, nem
carnalmente, presentes no, com ou sob o pão e o vinho na Ceia do Senhor, mas,
sim, espiritualmente à fé do comungante, não menos verdadeira e realmente do
que estão os mesmos elementos aos seus sentidos exteriores, assim os que
dignamente participam do sacramento da Ceia do Senhor se alimentam do corpo
e do sangue de Cristo, não de uma maneira corporal e carnal, mas espiritual,
contudo verdadeira e realmente, visto que pela fé recebem e aplicam a si
mesmos o Cristo crucificado e todos os benefícios de sua morte.
As especificações enumeradas nas respostas às questões 170 a 175 são
deduzidas da natureza da Ceia do Senhor como estabelecida no N.T. Os textos
são dados para mostrar que estas especificações estão de acordo com o tema
geral das Escrituras.
At 3.21; Gl 3.1; Hb 11.1; Jo 6.51, 53; 1Co 10.16.